quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Caras e emoções



       Molhados de chuva passeiam os passos  do tempo pelas veredas da vida, silenciados
  pelas histórias marcadas no peito de amores desfeitos e ilusões perdidas.
     Mas sonhos renascem de uma nova espera, que acorda na alma feito correnteza depois  da estiagem com a chegada do aguaceiro, talvez para esquecer o que vivi lembrando. Os ramos singelos do cinamomo saboreiam as carícias dos pingos de chuva, romanceando um verso acompanhado do sopro do vento, cuja sintonia forma o som de uma melodia que fala de vida.
    Vida nos armários da alma, uns guardam silêncios, cicatrizes, despedidas, desamores...e as chaves foram jogadas fora. Outros prendem esperanças, sonhos, utopias, ternura, magia, sedução .A porta entre aberta da vida deixa vagar nos becos da esperança a luminosidade do olhar que passeia entre os jardins da existência,  apreciando e sentindo o cheiro suave dos crisântemos, bromélias, margaridas, ou do arvoredo amarelado perdendo suas folhas pro outono, como muitos encontros se perdem,  do inverno até a primavera ou da primavera até o inverno, são as caras do tempo.
  É  melancolia  que cutuca no peito desarmado,  já curtido de espera, feito uma gaiola maldita na qual de tanto  debater-se, suas asas de esperanças se encontram machucadas. A desarmonia lhe alimenta o dia e a solidão desliza pelos seus dedos, lhe percorrem o ser e vem deitar na sua cama a noite quando o sono lhe convida,  mas o pensamento o espanta, e ele se vai, e os sonhos se aprochegam. Mas sonhos  e novas  esperanças são necessários para remendar nossa alma, considerando nossas angústias como um incidente e costurando novos trilhos para passearmos, porque não podemos trocar a alma nem o coração. Porque na vida sempre temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível e um amor inesquecível  guardado.      
    Gerenciar nossas emoções não é sedá-las ou suprimi-las, mas compreendê-las, porque nenhum ser vive sem elas. Quando falo em emoções, falo daquelas que estão no armário trancado já sem as chaves, mas também daqueles armários que prendem esperanças, sonhos, utopias....
     Pois a vida é como o cinamomo, que numa determinada época do tempo vê suas folhas murcharem, cairem e forrarem o chão de amarelo,
mas continua vivo em pé, porque sabe que em outra fase da vida seus ramos irão brotar, e mais ainda, sua copada ficará cheia de florzinhas lilases
recebendo a visita das abelhas e colibris, mas elas também cairão, mas um pequenino fruto verde surgirá delas, guardando sementes que ao cair ao chão irão germinar
lhe trazendo novos companheiros de sua espécie .Assim é a vida.... feita de muitas partidas e abraços sofridos, mas também de chegadas e abraços cheirosos e felizes!

                                                         Emoções sentidas!     Aut. Mary filipin.

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