Molhados
de chuva passeiam os passos do tempo pelas veredas da vida, silenciados
pelas histórias marcadas no peito de amores desfeitos e ilusões perdidas.
Mas sonhos renascem de uma nova espera, que acorda na alma feito
correnteza depois da estiagem com a chegada do aguaceiro, talvez
para esquecer o que vivi lembrando. Os ramos singelos do cinamomo saboreiam as
carícias dos pingos de chuva, romanceando um verso acompanhado do
sopro do vento, cuja sintonia forma o som de uma melodia que
fala de vida.
Vida
nos armários da alma, uns guardam silêncios, cicatrizes, despedidas,
desamores...e as
chaves foram jogadas fora. Outros prendem esperanças, sonhos, utopias, ternura,
magia, sedução .A porta entre aberta da vida deixa vagar nos becos da esperança
a luminosidade do olhar que passeia entre os jardins da existência,
apreciando e sentindo o cheiro suave dos crisântemos, bromélias, margaridas, ou
do arvoredo amarelado perdendo suas folhas pro outono, como muitos encontros se
perdem, do inverno até a primavera ou da primavera até o inverno,
são as caras do tempo.
É
melancolia que cutuca no peito desarmado, já curtido de espera,
feito uma gaiola maldita na qual de tanto debater-se, suas asas de esperanças se
encontram machucadas. A desarmonia lhe alimenta o dia e a solidão desliza pelos
seus dedos, lhe
percorrem o ser e vem deitar na sua cama a noite quando o sono lhe
convida, mas o pensamento o espanta, e ele se vai, e os sonhos se aprochegam.
Mas sonhos e novas esperanças são necessários para remendar nossa
alma, considerando nossas angústias como um incidente e costurando novos
trilhos para passearmos, porque não podemos trocar a alma
nem o coração. Porque na vida sempre temos um segredo inconfessável, um
arrependimento irreversível e um amor inesquecível guardado.
Gerenciar nossas emoções não é sedá-las ou suprimi-las,
mas compreendê-las, porque nenhum ser
vive sem elas. Quando falo em emoções, falo daquelas que estão no armário
trancado já sem as chaves, mas também
daqueles armários que prendem esperanças, sonhos, utopias....
Pois a vida é como o cinamomo, que numa
determinada época do tempo vê suas folhas murcharem, cairem e forrarem o chão
de amarelo,
mas continua vivo em pé, porque sabe que em outra fase da vida seus
ramos irão brotar, e mais ainda, sua copada ficará cheia de florzinhas lilases
recebendo a visita das abelhas e colibris, mas elas também cairão, mas um
pequenino fruto verde surgirá delas, guardando sementes que ao cair ao
chão irão germinar
lhe trazendo novos companheiros de sua espécie .Assim é a vida.... feita
de muitas partidas e abraços sofridos, mas também de chegadas e abraços cheirosos e felizes!
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